Calculadora do Critério de Kelly

Calcule o tamanho ideal de aposta para maximizar o crescimento do seu bankroll a longo prazo.

Calculadora Kelly

50% = Half-Kelly (recomendado)

Fórmula do Critério de Kelly

f* = (b×p − q) ÷ b
f* = fração do bankroll | b = odds líquidas | p = prob. vitória | q = 1 − p
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O que o critério de Kelly resolve de verdade

O critério de Kelly não diz se uma operação é boa. Ele diz quanto do seu capital deve ir para ela. É a resposta matemática para a pergunta que mais destrói contas de traders: "quanto eu coloco aqui?".

AbordagemTamanho da posiçãoResultado típico
Tamanho fixoMesmo valor em todas as apostasRisco cresce quando o capital cai
Percentual fixoMesma fração do capitalTrata operações boas e ruins igualmente
Kelly completoProporcional à vantagem realCrescimento máximo, mas oscilação extrema
Meio KellyMetade da fração calculadaPadrão prático da maioria dos traders
Ponto central: quanto maior sua vantagem, maior deve ser a posição. Quanto menor, menor a exposição. Kelly formaliza isso em uma única fração.

A fórmula aplicada passo a passo

A fórmula clássica relaciona a probabilidade real de acerto, a probabilidade de erro e o retorno por unidade apostada. Em mercados de previsão ela fica direta porque o retorno é sempre US$ 1,00 por share vencedor.

Fórmula de Kelly
f* = (b × p − q) ÷ b p = sua probabilidade estimada de acerto q = 1 − p (probabilidade de erro) b = retorno líquido por dólar investido Em mercados de previsão: b = (1,00 − preço) ÷ preço

Exemplo: você estima 60% de chance, o mercado negocia a 0,50. Então b = (1,00 − 0,50) ÷ 0,50 = 1,0. Aplicando: f* = (1,0 × 0,60 − 0,40) ÷ 1,0 = 0,20. Ou seja, 20% do capital. Com meio Kelly, 10%.

Erro frequente: aplicar Kelly completo. A fração total assume que sua estimativa de probabilidade está exata. Ela quase nunca está — e por isso se usa metade ou um quarto da fração.

Por que reduzir para meio Kelly na prática

Kelly completo maximiza crescimento no papel, mas produz oscilações que a maioria dos traders não suporta psicologicamente. Existe uma razão matemática para essa escolha também.

Fração usadaCrescimento esperadoQueda típica em sequência ruim
Kelly completoMáximo teóricoPode superar 50% do capital
Meio KellyCerca de 75% do máximoMetade do tamanho da queda
Quarto de KellyCerca de 44% do máximoMuito mais suave
Décimo de KellyCrescimento baixoSeguro, porém lento

O trade-off é explícito: você abre mão de parte do crescimento em troca de risco de ruína muito menor. Para quem está começando, o quarto de Kelly é o ponto mais equilibrado.

Recomendação prática: use metade da fração calculada quando tiver histórico de pelo menos 50 operações calibradas. Antes disso, use um quarto.

Calibração: o fator que decide tudo

Kelly é implacável com estimativas infladas. Se você acha que tem 60% de acerto quando na verdade tem 50%, a fórmula vai recomendar posições grandes demais — e isso destrói capital.

Regra de segurança: se você não tem histórico de calibração, reduza a fração de Kelly a um quarto. Sem dados, o número ótimo é desconhecido — e assumir o melhor caso é o caminho mais rápido para a ruína.

Mercados correlacionados quebram a fórmula

A fórmula original pressupõe operações independentes. Em mercados de previsão, essa premissa é violada com frequência — e é o erro mais caro no uso de Kelly.

SituaçãoPor que é correlacionadaCorreção
Vários mercados sobre a mesma eleiçãoÉ uma única aposta disfarçadaDivida a fração pelo número de posições
"Até junho" e "até dezembro"Eventos aninhados, não independentesTrate como a mesma tese
Eventos movidos pela mesma notíciaChoque comum afeta todosAgrupe e limite o risco total
Tudo liquidado em USDCRisco de infraestrutura compartilhadoReduza a exposição global
Regra de correção: com três mercados correlacionados, divida a fração calculada por três. O risco agregado fica próximo ao de uma única posição — que é o que ela realmente é.

Perguntas frequentes sobre o critério de Kelly

Pergunta: Kelly diz se devo entrar na operação?
Resposta: Não. Se o valor esperado for negativo, a fração recomendada é zero. A decisão de entrar vem do valor esperado.
Pergunta: Qual fração devo usar como iniciante?
Resposta: Um quarto de Kelly. Sem histórico de calibração, reduzir é a única decisão defensável.
Pergunta: Posso usar Kelly em probabilidades muito baixas?
Resposta: Pode, mas a estimativa fica menos confiável nessa faixa. Prefira operar apenas com estimativas que você consegue defender em duas frases.
Pergunta: Kelly maximiza o lucro?
Resposta: Maximiza o crescimento composto do capital no longo prazo. Lucro máximo em uma única operação exigiria arriscar tudo — o que leva à ruína.
Pergunta: Como Kelly se relaciona com o valor esperado?
Resposta: O valor esperado mede se a operação tem vantagem; Kelly mede quanto investir nela. São etapas diferentes do mesmo processo.
Pergunta: Preciso registrar as operações?
Resposta: Sim. Sem registro, você não sabe se sua estimativa de probabilidade é honesta — e Kelly sem calibração é apenas um número inventado.